Ando ausente, seu sei. A culpa é, em parte, do final de “Nashville”.

Precisei de uns dias para processar que minha novela preferida acabou.

E quando digo “processar” quero dizer enterrar-me em mais quatro ou cinco séries e reality shows rasca para compensar a tristeza.

Este não é um “acabar de Verão”, daqueles tipo “Hasta luego amiga, a malta volta para o ano”.

Foi mais do género, “Já cá andamos há seis temporadas, as audiências já não são o que eram, já mudamos de canal e nem assim isto sobrevive, a história já deu voltas a mais, peace out bitches que vamos pregar para outra freguesia”.

E uma miúda que se aguente sem os gatinhos, os dramas das chicas e as músicas incríveis.

Ok, pronto, calma, não assassinem já a miúda. Eu venho em paz, prometo.

“Nashville” não é a melhor coisa algumas vez produzida, não é nem de perto nem de longe uma série ultra bem escrita com textos magníficos e diálogos complexos, não veio mudar o mundo das séries e é tão pirosinha que às vezes me dá aquele arrepiozito na coluna só de pensar que lhe dedico religiosamente tempo semanal desde 2012.

Dude, 2012. Isto é pior do que eu pensava.

Para quem não conhece a coisa é simples de explicar.

“Nashville” retrata a vida de estrelas da música country que vivem, lá está, em Nashville.

Na primeira temporada temos claramente duas personagens principais: Rayna Jaymes e Juliette Barnes.

Rayna e Juliette são uma espécie de Faith Hill/Shania Twain e Carrie Underwood/Taylor Swift deste universo, uma já super famosa e estrela planetária com uma carreira mega sólida, e a outra a começar a explodir no mundo da música country com a mania que sabe tudo e que é a rainha do pedaço.

Não gostam uma da outra, são rivais, e oh, que surpresa! Um dia têm de trabalhar juntas. Oh, que reviravolta tão grande nas nossas vidas e que momento tão inesperado. Agora é que me apanharam!

Sarcasmo à parte, sou mega fã. Não digam a ninguém.

“Nashville” é boa de tão simples

É muito fácil ser conquistado por esta série porque, para dizer a verdade, todas as personagens são boas, relatable, todos eles músicos muitíssimo talentosos e no fundo mesmo fundo, desejamos secretamente fazer parte deste universo.

E esse é o segredo de “Nashville”.

Enquanto assistimos a estas temporadas queremos fazer parte daquilo tudo, sermos acolhidos por Rayna Jaymes, ir para os copos com a Juliette Barnes, fazer aquela panquequinha domingueira com a Scarlett e beijar loucamente o Will. Ou o Avery. Ou o Gunnar. Ou o Deacon. Your choice.

O melhor de tudo? A música.

Ok eu dou-vos uns segundo para rirem na minha cara, é na boa.

Sim, eu gosto de música country.

Ok, ok, eu sei, estão a rebolar no chão e a chamar-me loser.

Mas hey, a música country quando é boa my friends… é boa mesmo. E quando mete Blues pelo meio…! Amo.

E não, não estou a falar daquelas letras do género “Aaahhhhh, estou sentado no meu trator, vou ver o meu amor, aahhhhh” com umas guitarradas foleiras lá atrás que saem de um banjo manhoso. Estou a falar de música a sério.

E “Nashville”, goste-se ou não, tem alta banda sonora.

E sim, aqui me confesso, às vezes no carro vou a rockar uma Juliette Barnes e uma Rayna Jaymes como se não houvesse amanhã. E, ainda arrisco uma Scarlet e finjo ser uma adolescente sofrida com as manas Maddie e Daphne.

Pronto, confissão feita.

E vocês, não finjam. Já cantarolaram estes temas de certeza.

O elenco? Aaah, o elenco.

“Nashville” tem vários bombons no elenco mas, se me permitem, começo por aquela que é para mim a cereja no topo do bolo.

Senhoras e senhores, the queen herself, Connie Britton.

Connie Britton é Rayna Jaymes, a cantora altamente bem sucedida, com uma carreira longa e sólida, amada por todos e um super exemplo e referência para quem está a começar neste mundo da música.

A personagem é forte, uma mãe extremosa, está cheia de segredos e histórias por desvendar e só o facto de ser interpretada por Connie Britton tornou-se rapidamente um dos meus amores na série.

Para os mais esquecidos, Connie Britton é só uma das estrelas daquele clássico  incomparável chamado “Friday Night Lights”, é uma das protagonistas da primeira temporada de “American Horror Story”, e mais recentemente a estrela de duas séries que também amo, “911” e “SMILF”.

Uma deusa in my book. Adoro-a. Sou mega fã. Ah, e descobrir em 2012 que a senhora também canta…. mega girl crush.

Rayna é mãe de duas meninas, Maddie e Daphne, também elas a transbordar talento. Mas já lá vamos.

A estrelinha em ascensão, mega irritante e cheia de manias é Juliette Barnes interpretada pela awesome Hayden Panettiere.

Se assim de repente o nome não vos diz nada então andem para trás no tempo até 2006. Lembram-se de “Heroes”? Claro que se lembram.

Lembram-se da cheerleader? “Save the cheerleader, save the world?”. Yup, era ela.

E, voilá, mais uma que sabe cantar.

A personagem ao início é super irritante, manienta que se farta, mas damos por nós a gostar cada vez mais dela e no final das seis temporadas já torcemos pela sua felicidade. (Ai não aguentooo, que piroseira de fraseeee! Esta série deixa-me assim, peço desculpa.)

Vamos às filhas de Rayna. Curiosidade? São irmãs na vida real e só uma delas é que andava em castings para a série.

Rayna Jaymes tem duas filhas, umas crianças amorosas (que ao longo da série vão passando por fases super irritantes) e também elas são mega talentosas.

A saber. Maddie e Daphne são interpretadas por Lennon e Maisy Stella, duas irmãs canadianas.

Os pais das actrizes são músicos e ambas sempre quiseram fazer carreira na música, apesar de Maisy (a mais nova) também ter algum interesse na área da representação. Fez o casting para “Nashville” e já nas fases finais os produtores da série descobriram que tinha uma irmã mais velha, igualmente talentosa, e decidiram que ambas entrariam na série e fariam de irmãs.

Lennon e Maisy tornaram-se conhecidas ainda antes da série estrear, as duas colocaram um vídeo no YouTube de uma versão da música “Call Your Girlfriend” de Robyn e de um dia para o outro eram estrelas.

O video já tem quase 30 milhões de visualizações.

Na sequência disto foram convidadas para cantar em vários programas de televisão, chegaram a actuar e a entregar um prémio a Taylor Swift nos prémios CMA e, mais tarde, uma versão sua na série do tema “Ho Hey” dos Lumineers chegou aos tops da Billboard.

Dois mini talentos que em seis temporadas cresceram à frente dos nossos olhos. De crianças a adolescentes num ápice.

Pareço uma velha a falar mas faz-me alguma impressão olhar para elas na primeira temporada e olhar para elas agora…!

Depois há os gatinhos…

O que seria de uma “telenovela” americana sem um monte de gatinhos para todos os gostos para a malta lavar a vista?

Will Lexington é interpretado por Chris Carmack. Gatinho, sim. Will tem um segredo que acaba por desvendar mas não vos vou fazer spoiler porque não sei em que temporada vão.

Mas posso-vos dizer que acaba de ser anunciado que Chris Carmack irá integrar o elenco da temporada 15 de “Grey’s Anatomy”. 

Aparentemente depois de ser estrela country, será um Deus da Ortopedia.

Avery Barkley é interpretado por Jonathan Jackson e é o mais rock n’ roll de todos.

Começa meio rebelde e acaba ultra responsável e meio chatinho mas é um tipo cool.

Sam Palladio é Gunnar Scott, o sensível.

Apaixona-se perdidamente por qualquer rabo de saia, e acaba sempre de coração partido.

Um bocadinho meloso para meu gosto mas tem uma voz… senhores! Incrível.

É um elenco enorme, podia ficar aqui a tarde toda a falar-vos da santinha da Scarlet que eu adoro, do Deacon Clayborn que é um gatão mais velho apaixonado por Rayna… mas isto ia ficar super longo e eu nunca mais saía daqui.

Fun facts sobre este elenco secundário?

O Sam Palladio (Gunnar) é britânico, a Clare Bowen (Scarlet) é australiana, e o Michael Huisman (Liam) é holandês. Mas o talento é tanto e a entrega é tão grande, que pelos sotaques dos sul que dominam na perfeição ninguém diria que não tinham nascido em Nashville.

“Nashville” saltitou de um lado para o outro, mas os fãs mantiveram-na viva

Só assim por acaso, “Nashville” foi criada por Callie Khouri que foi só a senhora que venceu um Oscar com trinta e poucos anos depois de ter escrito o clássico “Thelma & Louise”. Sim, esse clássico do cinema.

A série estreou em 2012 na ABC e o primeiro episódio foi visto por quase 9 milhões de pessoas. Coisinha pouca.

Em Maio de 2016 aqui a vossa amiga teve uma pequena apoplexia quando a ABC anunciou que tinha cancelado a série ao fim de quatro temporadas. Logo agora que eu já estava mais do que viciada e que já sabia todas as músicas de cor!

Graças ao Senhor, o canal CMT (que é como quem diz Country Music Television) levantou o bracinho e disse “Hey, nós pegamos nisso e fazemos mais umas temporadas no nosso canal..!”

Foi dia de festa para os fãs, a saga ia continuar. Mas, só durou mais duas temporadas e chega agora, ao fim de seis, ao fim.

“Nashville” a minha piroseira favorita

Gosto tanto de “Nashville” que quando fiz a Route 66 com o Rui Maria Pêgo, fizemos um desvio (enorme) para lá passar.

E, guess what? Sem qualquer plano passámos à porta da Highway 65, fomos ao parque onde uma das personagens pede outra em casamento (não vou estragar, prometo), passámos à porta do Bluebird Cafe, e nunca me senti tão dentro de uma série como ali.

É pirosa? É.

Um bocadinho previsível? Sim.

Altamente viciante? Para mim foi.

A banda sonora é realmente boa, cantada pelos próprios actores que nos surpreendem com os seus agudos? Sem dúvida.

Estou mesmo com pena de ter acabado? Nem estou em mim.

Por cá, passa na SIC Mulher e aconselho-vos mesmo a ver de início.

Season 1 Episode 1 my friends, para não perderem pitada.

É um vício que me custa confessar que tenho? Nah, já perdi a vergonha na cara.

Vou recomeçar a vê-la do início porque já estou com saudades? *suspiro* SIM.

Peace out, Kidz.

MBM