“Here and Now” conta a história da família Bayer-Boatwright, uma família multicultural de Portland.

A série é da HBO (ou era porque acabo de descobrir que foi cancelada) e foi criada por Alan Ball.

Allan quem?

É só o senhor que nos trouxe aquela pérola televisiva incrível que é “Six Feet Under”, a série “True Blood” e que escreveu o filme “American Beauty”. Nada de especial portanto.

Vicei-me na série mas confesso que foi daquelas em que tive de insistir um bocadinho, não colei nela logo à primeira.

Mas quando colei… colei mesmo.

Mas há coisas que valem o esforço e “Here and Now” é uma delas.

Mergulhemos então na história de “Here and Now”

Audrey e Greg são os pais, ela é terapeuta e ele professor de Filosofia.

A sua família é uma espécie de experiência social, adoptaram três filhos de raças e origens diferentes, todos com passados difíceis, e para além deles têm uma filha biológica.

À primeira vista é uma família normal, ultra moderna liberal e inclusiva mas rapidamente começam a acontecer coisas estranhas e a pouco e pouco vamos percebendo que afinal nada é muito normal neste clã.

Os temas abordados são importantes mas nem sempre a entrega é a mais subtil

“Here and Now” toca em todos os pontos de discussão que são importantes debater.

Fala de discriminação racial, do largo espectro da sexualidade, de religião, de doenças mentais, do consumo de drogas, de política e da aceitação do próximo.

É uma série ultra liberal e de mente aberta e isso é fixe e importante de ver e retratar para o grande público, mas a certa altura damos por nós a pensar “Ok dudes, já ’tá bom”.

Também acho o Trump um loser, também acho que amor é amor, também defendo que todas as religiões devem ser respeitadas, mas please, contem lá a história agora durante 5 minutos seguidos.”

Atenção, esta espécie de salada de fruta de temas numa só série é incrível e muito, mas mesmo muito importante. E só por isso “Here and Now” conquistou o meu coração.

Mas como concordo em pleno com tudo o que se debate aqui, às vezes sentia que o sermão era longo de mais, repetitivo e desnecessário, porque, lá está, eu já sou “discípula” desta Igreja. Como série liberal que é deveria retratar, passar a mensagem e pronto.

Com toda a normalidade e naturalidade, em vez de “pregar” constantemente uma mensagem em discursos longos das personagens às vezes colocando a própria história em risco.

Ficaram a achar que me chateei? Oh “migas”, nada disso!

“Here and Now” tem um elenco incrível e quando li hoje que a série tinha sido cancelada, fiquei com pena de não voltar a ver esta “troupe” toda junta.

Para início de conversa Holly Hunter e Tim Robbins são os chefes de família.

Sim, podemos entrar em freakout, eu deixo.

Holly Hunter é Audrey Bayer, a mãe terapeuta que ama os filhos de forma sôfrega e que os protege que nem mãe galinha sob ameaça.

É incrível, meia maníaca no sentido em que quer fazer tudo bem a toda a hora, quer os filhos por perto o tempo todo e mete-se na vida de todos, nunca por mal mas porque quer saber cada detalhe de todas as suas angústias.

Igual a qualquer mãe suponho, parecida com a minha confesso. 🙂

O melhor de tudo? Yup, é a Holly Hunter. E isso traz-me sempre alegria.

O maridão de Audrey Bayer é Greg Boatwright, interpretado pelo awesome Tim Robbins.

Greg é professor de Filosofia, é menos “galinha” em relação aos filhos e mil vezes mais sereno que a mulher.

É aparentemente o mais calmo e sábio mas no fundo, um dos mais complexos.

Ama a mulher e os filhos profundamente, mas temos sempre a sensação que qualquer coisa não bate certo nesta equação e que, por alguma razão, não faz sentido ele ainda não ter batido com a porta de casa.

O casting da filharada é igualmente bom

Audrey e Greg têm quatro filhos, três adoptados e uma biológica.

Todos têm as suas manias, os seus segredos e as suas histórias paralelas.

E todos eles são bons nas suas interpretações.

Ashley é a mais velha e foi adoptada na Libéria.

Tem uma loja de roupa online e a sua carreira está-se a tornar naquilo que sempre sonhou.

É casada com Malcom e tem uma filha, a fofíssima Hailey.

Ashley é interpretada por Jerrika Hinton e talvez se lembrem dela da série “Anatomia de Grey” em que interpretava a Dr. Stephanie Edwards.

Esta sua Ashley é durona e a mais “correcta” dos irmãos mas também aquela que diz prontamente que sim a um “charrito” dentro do carro em vez de ir ter como marido e a filha.

Duc é o segundo filho, foi adoptado no Vietnam aos cinco anos e é life coach.

Duc diz viver sem sexo e que essa é a melhor escolha que fez. Rapidamente percebemos que é meio twisted em relação ao sexo e vamos percebendo porquê ao longo da série.

Duc é interpretado por Raymond Lee, se viram “Mozart in the Jungle” ele era Arlen e talvez o reconheçam também da série “Scandal” (artigo lindo aqui) onde fez uma pequena aparição.

Ramon é o terceiro e o mais “fora do baralho”.

Ramon foi adoptado num orfanato na Colômbia em bebé e é estudante de Design de Videojogos.

É homossexual e vive um romance com um rapaz que à primeira vista não percebemos se será uma boa ou má influência na sua vida.

É com ele que começam os acontecimentos estranhos.

Ramon tem visões, surtos psicóticos e o jogo que está a desenvolver é a chave ou pelo menos o veículo de muito do que de perturbador vai acontecendo na história.

Daniel Zovatto dá vida a Ramon e mais recentemente vimo-lo em “Lady Bird” com Saoirse Ronan.

Kristen é a mais nova e a única filha biológica do casal.

Kristen é estudante do secundário e o seu melhor amigo é um rapaz trans muçulmano, também ele com uma família algo estranha.

É interpretada por Sosie Bacon que só assim por acaso é “realeza Hollyodesca”.

É filha da enorme Kyra Sedgwick (a mãe de “The Edge of Seventeen”aqui) e do gigante Kevin Bacon, e provavelmente já a viram na pele de Skye em “13 Reasons Why” (artigo para ler aqui).

O núcleo secundário é igualmente forte

Em paralelo seguimos a família Shokrani: pai, mãe e filho.

E que bons que todos são.

Farid, o pai, é o terapeuta que segue Ramon. Navid, o filho, é o melhor amigo de Kristen e Layla é a matriarca lindona de morrer.

Todas as personagens são boas e quase que este clã “compete” com o núcleo principal.

As questões que levantam são muitas e deixam-nos sempre com “a pulga atrás da orelha”.

São interpretados por Peter Macdissi, Marwan Salema e Necar Zadegan.

É uma família cheia de segredos por desvendar, interligada com a família Bayer-Boatwright de forma meio cósmica e que nos deixa com questões pendentes em todos os episódios.

“Here and Now” é boa, mas chegou ao fim

A série não vingou apesar de ter arrecadado bastantes fãs e ficou-se por apenas uma temporada de dez episódios.

Fiquei triste quando percebi isso hoje, confesso que já estava à espera da segunda temporada.

Se gostam de séries complexas, de dramas familiares e de mistérios do além difíceis de perceber, “Here and Now” é para vocês.

“Checkem” e digam-me o que acharam!

Fica o trailer!

Peace out, kidz.

MBM