Tenho andado desaparecida, eu sei. A culpa pode ou não ser de Sandra Oh e da sua “Killing Eve”.

Ou pode talvez ser culpa de um reality show manhoso que ando agora a ver. Não importa. Vamos focar-nos em “Killing Eve”.

Esta não é uma série para fraquinhos, esta é daquelas em que precisamos de estômago, de uns níveis de stress bem controlados e de uma pequena dose de insanidade porque eventualmente damos por nós a torcer por duas mulheres que claramente não são bem acabadas  dos miolos.

“Killing Eve” é uma série britânica produzida pela Sid Gentle Films para a BBC America e é baseada na serie de livros “Codename Villanelle” de Luke Jennings.

É protagonizada por uma das melhores actrizes que anda por aí, a incrível Sandra Oh.

“Ah e tal Maria, calma, é só a Cristina Yang da “Anatomia de Grey”, também não é assim nada de especial….”.

Oi? Não me façam perder a cabeça a esta hora que isto pode correr mal. “Só” a Dr. Yang? *suspiro*

Não sejamos básicos. 

Sandra Oh é mais do que aquela médica (incrível by the way) que víamos a dar colo a cada 10 min à chatinha da Meredith Grey .

Era não só a melhor personagem de toda a série como me deu uma apoplexia quando se pôs a andar dali para fora.

A Sandrinha (somos migas, tá?) é incrivelmente talentosa e muito mais do que uma médica hilariante. Lembram-se de “Sideways” e da sua Stephanie? Pois, genious.

E para os menos atentos, sabiam que é Sandra Oh que dá voz à Hiko Yishida do “American Dad”? Ahhh, claro. Um génio vivo a minha Sandrinha.

Mas vamos a “Killing Eve”. A série tem apenas oito episódio e é daquelas que se “papa” num instante.

Sim, foi daquelas que me tirou o sono até às cinco da manhã e me valeu um valente par de olheiras no trabalho no dia seguinte.

A personagem de Sandra Oh é Eve Polastri, uma agente do M15 que começa a investigar uma série de assassinatos e se torna obcecada pela assassina que anda a soltar o pânico.

É uma série cheia de humor negro, momentos hilariantes de tão dark que nos fazem questionar se não somos tão estranhos quanto as personagens que estamos a ver no ecrã.

“Killing Eve” tem sex appeal, muita violência, sangue com fartura, tiros, mortos, muita tensão e um perigo sempre eminente.

E amores meus, é tão boa.

A assassina altamente psicopata, psicótica de todo e tarada dos miolos é Villanelle (Oksana Astankova para os amigos), interpretada pela genial Jodie Comer.

Não conhecem? Pois, eu também não. Mas que prazer que foi vê-la trabalhar.

É completamente virada do avesso, altamente incrível e eficaz na sua arte de matar e, também ela, se torna obcecada pela agente que a está a tentar apanhar.

Jodie Comer é uma actriz britânica que entra de forma tão natural na pele deste monstro psicótico que nos faz questionar se não terá ela mesma um lado muito twisted ali dentro.

É incrível neste papel. In-crí-vel.

É uma dinâmica tipo gato e rato, que ora torcemos por um, ora torcemos por outro e no fundo só queremos o tempo inteiro que se encontrem cara a car e se beijem na boca.

Parece estranho, mas é mesmo verdade.

Estamos durante oito episódios a querer que Eve apanhe Villanelle ao mesmo tempo que queremos que Villanelle nunca seja apanhada por Eve, ao mesmo tempo que achamos que elas deviam ser amigas e casar uma com a outra.

Esquizofrénico? Sim. Bom demais? Sem dúvida.

Sandra Oh faz história

Sandra Oh colecciona nomeações para os maiores prémios da televisão e do cinema, venceu um Globo de Ouro em 2006 (Grey’s Anatomy), um People’s Choice Award também com a sua Cristina Yang, um Screen Actors Guild Award em nome individual também com “Grey’s Anatomy”… enfim, podia ficar aqui o dia todo, a lista não tem fim.

A actriz já foi nomeada para tudo e mais alguma coisa, só nomeações para os Emmys até este ano, já contava com cinco.

Foi nomeada para os Emmy Awards cinco anos consecutivos com Cristina Yang de “Grey’s Anatomy” na categoria de Melhor Actriz Secundária, e em nenhuma foi vencedora. Cinco anos consecutivos. Cinco. Não ganhou nenhuma. Estou-me a repetir, eu sei.

Mas este ano, Sandra Oh entra para a história.

A sua sexta nomeação para os Emmys chega com esta incrível interpretação em “Killing Eve”, torna-se na primeira nomeação de sempre de uma actriz de descendência asiática numa categoria de protagonista numa séria dramática.

A primeira e única actriz de descendência asiática a levar um Emmy para casa foi Archie Panjabi em 2010 pelo seu papel em “The Good Wife” (outro vício meu), vencendo lá está, na categoria de Melhor Actriz Secundária, categoria para a qual Sandra Oh já tinha sido nomeada cinco vezes. Cinco.

Eu sei que me estou a repetir, mas é um número incrível.

Pode ser que desta vez Sandra Oh leve para casa o prémio e veja finalmente justiça a ser-lhe feita.

Nunca venceu nenhum Emmy nas categorias secundárias, que seja então desta vez a vencedora num papel principal e que faça história.

Por que é que têm de ver “Killing Eve”?

Por que sim. Ok?

Não é por acaso que a série se tornou de semana para semana num fenómeno de audiências que deveria ser estudado.

Poucas foram as séries que cresceram tanto em números de episódio para episódio apenas com o passa palavra dos seus fãs.

Começou calminha nos resultados e foi sempre a subir astronomicamente nos números até ao último episódio.

É empolgante, sexy, violenta, aterradora, hilariante, inteligente, complexa e cheia de momentos brilhantes de interpretação.

É feminina, feminista, e tão violenta quanto seria se os protagonistas fossem homens.

É nua, crua e dura. E impossível de ignorar.

Tão boa que já tem a segunda temporada confirmada.

Confiam em mim? Vejam, não se vão arrepender.