“Sharp Objects” já estreou na HBO e eu já estou em nervos.

Primeiro que tudo e só assim para despachar a coisa, vamos a um mini resumo:
  • Uma jornalista do St. Louis Chronicle (um jornal fictício) é enviada para a sua terra natal, Wind Gap no Missouri, para fazer a cobertura do desaparecimento de uma menina adolescente que acontece pouco tempo depois de uma outra rapariga mais ou menos da mesma idade ter sido assassinada.
  • Oh meu Deus, temos um serial killer em mãos?
  • Camille Preaker, a jornalista, é mega estranha, adora um vodkazinho logo pela manhã e não quer voltar à terriola onde nasceu, muito menos enfrentar a sua mãe que é meio passada dos carretos.
  • O seu editor não lhe dá hipótese e toca de aviar malas e ir meter o bedelho nesta investigação, enquanto hiperventila por estar de volta à terriola de onde sempre quis sair.
  • Fim de resumo.
Agora que despachamos o resumo, vamos ao que interessa

Precisamos de falar. Precisamos de trocar uma ideia, de discutir aqui este mambo que me está a deixar insana.

Ready?

Amy Adams é a protagonista.

Calma, está tudo bem.

Eu posso repetir…

Amy Adams é a protagonista.

Não sei porque é que fiquei surpreendida, a HBO já andava a “caçar” actrizes de Hollywood para tudo o que era projecto (veja-se por exemplo Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Laura Dern e Shailene Woodley em “Big Little Lies”), mas fiquei feliz por ter a fofíssima Amy Adams por mais tempo no meu ecrã, em vez da clássica hora e meia de um filme.

E malta… ela vai tão bem na pele desta Camille.

Ainda só vi o primeiro episódio mas, damn. Prevejo algumas nomeações para juntar às cinco (!!!) que já recebeu para os Oscars.

“Sharp Objects” traz-nos mais do que Amy Adams

Ok, estamos contentinhos, temos a Amy Adams durante oito longos episódios a interpretar uma personagem incrível, cheia de camadas para descobrir, com demónios interiores, angústias que não percebemos bem, uma relação estranha com a própria mãe e uma aversão enorme à sua terra natal.

Mas temos muito mais do que uma boa protagonista e uma boa história.

Para dar vida, movimento e cor a tudo isto temos um senhor talentoso: Jean-Marc Vallée tem nas mãos a realização.

Se assim de repente o nome não vos diz nada, é o realizador de “Big Little Lies”.

Jean-Marc Vallée consegue dar todo um mood meio dark a este “Sharp Objects” e consegue criar uma atmosfera meio assustadora que nos deixa sentadinhos na borda da cadeira a cada frame.

“Sharp Objects” traz-nos também um elenco genial à volta da Amy Adams.

A sua estranha mãe, Adora, é interpretada por Patricia Clarkson, uma mulher rica e cheia de status nesta pequena cidade, que aparentemente tem a vida perfeita.

Mas percebemos rapidamente que não é bem acabada das ideias.

O incrível Chris Messina é o Richard Willis, o detective com a difícil tarefa de descobrir o que aconteceu às duas adolescentes.

E a difícil tarefa de aturar Camille e as suas sucessivas perguntas sobre tudo e sobre nada.

Mas, para mim, a surpresa deste elenco é Eliza Scanlen, que faz de Amma, a meia-irmã esquisita de Amy Adams.

Eliza é australiana e tem 19 anos e estreia-se com esta personagem nos Estados Unidos, e algo me diz que Hollywood não a vai largar mais.

A sua personagem é uma santinha em casa e um pequeno demónio na rua. É uma sonsa do pior e mesmo quando sorri conseguimos ver um mini fogo no fundo dos seus olhos. É creepy, uma espécie de boneca de porcelana possuída, e é genial.

Formato mini-série, fixe ou nem por isso?

Há quem goste, há quem não goste, há que prefira pão com manteiga.

Eu confesso que sou fã do formato. Até porque odeio manteiga.

Nada me dá mais gozo do que ter 8 ou 10 episódios mais longos do que o habitual, com o investimento igual (ou às vezes superior) ao de uma temporada de uma série “normal”, para devorar de seguida e em pouco tempo.

“Sharp Objects” é-nos trazida pela HBO, que viu na mini-serie “Big Little Lies” um enorme sucesso (tão grande que vem aí mais uma temporada e desta vez com Meryl Streep metida ao barulho!) e tenta mais uma vez criar um fenómeno do género, trazendo mais uma “mini-pérola” para a televisão e arrastando consigo mais uma protagonista de classe A.

“Sharp Objects” é baseada no livro de Gillian Flynn

Isto pode não vos dizer grande coisa, “ah ok”, mais uma série que é baseada num livro, cool.

Sim, cool. Mas depois de pesquisar um pouquito, percebi quem é a Gillian Flynn e, errrr, tenho de lhe fazer a vénia.

Vamos pôr as coisas assim, Gillian Flynn era uma jornalista da Entertainment Weekly que escrevia sobre filmes, entrevistava actores, fazia crítica de televisão, etc. e que nos seus tempos livres escrevia livros.

Bom, basicamente escreveu três livros e uma short-story.

A saber:

  • Primeiro livro: Sharp Objects – É agora uma mini-série da HBO com Amy Adams como protagonista
  • Segundo livro: Dark Places – Foi adaptado para o cinema e é protagonizado por Charlize Theron
  • Terceiro livro: Gone Girl – Deu naquele filme incrível com a Rosamund Pike a dar baile à malta toda

Errr, já percebem a vénia? Três livros: dois filmes e uma mini-série. *vénia*

Em suma, vale a pena investir em “Sharp Objects”

A série ainda não passa em Portugal (hey, canais de séries! Comecem a dar atenção às minhas recomendações…) mas se tiverem acesso à HBO sugiro que mergulhem já no primeiro episódio e vão ver como tenho razão.

É uma boa série para quem gosta coisas como “The Sinner” (ler mais aqui), “True Detective” e mistérios policiais do género.

O elenco é qualquer coisa de incrível, a história é boa e, apesar do primeiro episódio ser meio lento (já li que os primeiros 3/4 são assim), colamos logo na história e ficamos com o bichinho de querer saber mais sobre esta Camille e sobre estes misteriosos assassinatos.

Vejam, vão por mim. Alguma vez vos falhei numa dica?

Peace out, kidz.