“Love, Simon” é uma pequena pérola que já me tinham sugerido várias vezes e que, até ver o filme, não percebia o porquê da insistência.

Podemos começar pelo básico: o elenco.

“Love, Simon” tem um elenco cheio de pequenos diamantes e de participações que ajudam a elevar ainda mais esta história.

Podemos começar  pelo protagonista interpretado por Nick Robinson que é sempre credível e relatable ao longo de todo o filme.

Nick Robinson é Simon, um aluno de liceu que esconde um segredo.

A sua melhor amiga é Leah, interpretada por Katherine Langford de 13 Reasons Why, uma miúda que por vezes se sente isolada e a observar a sua vida de fora. Quem nunca?!

Alexandra Shipp (“X-Men: Apocalypse”) e Jorge Lendeborg Jr. (“Spidermand: Homecoming”) são Abby e Nick e completam este quarteto de amigos.

Os pais de Simon são possivelmente o melhor casting de todo o elenco.

São altamente conhecidos e com carreiras muito sólidas e credíveis mas mantêm aquele toquezinho de coolness e normalidade que estas duas personagens pedem à partida.

Jennifer Garner é a mãe e Josh Duhamel é o pai. E que bem que se saem.

Todas as cenas com estes dois senhores são genuínas, fofinhas q.b. e sempre com um toque de normalidade que os torna ainda mais reais.

É muito fácil gostar destes dois.

Depois há três pérolazitas meio escondidas que merecem destaque porque, sinceramente, são incríveis a cumprir a sua responsabilidade de nos fazer rir de vez em quando, enquanto assistimos à luta de Simon.

A saber:

Tony Hale. Preciso dizer mais alguma coisa?

O génio Tony Hale é o director da escola.

Partilha demais com os alunos, fala dos seus dates do Tinder a qualquer um que o quiser ouvir e é hi-la-ri-an-te.

Façamos por favor uma vénia a este senhor.

“Veep”, “Arrested Development”… ai, saudades.

Natasha Rothwell, sim a Kelli de “Insecure”, é a professora de drama Ms. Albright.

Aparece muito pouco, deve ter quatro ou cinco cenas se tanto, mas cada vez que abre a boca é genial.

Tem umas saídas curtas e destrutivas com muita, muita graça e fiquei feliz por vê-la aqui no meio.

Last but not least, senhoras e senhores, Clark Moore.

É possível que o reconheçam de “Glee”, eu confesso que não o reconheci à primeira.

Clark Moore é Ethan, um rapaz gay que frequenta a escola de Simon, que em momento algum pede desculpa por ser quem é.

É engraçado demais, tem sempre uma resposta hilariante para quem se mete com ele e é o verdadeiro herói desta história toda.

Agora que conhecemos o elenco, vamos à história.

“Love, Simon”, conta a história de um rapaz que, tal como já disse, esconde um segredo: É gay.

Simon vive com os pais, a irmã mais nova, tem amigos incríveis, uma vida escolar normal mas esconde este segredo que o consome diariamente.

Simon vive no dilema de querer contar o seu segredo mas ao mesmo tempo não achar justo que tenha de verbalizar quem é, os heterossexuais não têm de anunciar que o são.

E, by the way, o clip de cenas que passa na cabeça de Simon a “virar o bico ao prego” e a colocar as personagens hetero a fazer o seu “coming out” é genial.

A sua melhor amiga é viciada num blog onde são partilhadas fofocas, notícias e acontecimentos relacionados com o liceu que frequentam. Qualquer um pode lá postar e fazer assim circular mais rápido as novidades.

Neste blog surge um post anónimo de um aluno da escola que partilha o facto de ser gay e de sentir a necessidade de, mesmo que anonimamente, partilhar a sua experiência e as suas angústias.

Simon decide enviar um email a este misterioso colega que se auto-intitula de Blue e admitir, ainda que em segredo, que é igual a ele e que sabe o que Blue está a sentir.

Simon descobre o amor.

A partir daí Simon passa a ter um escape, alguém com quem sente que pode partilhar o que lhe vai na alma, alguém que sabe o que é ser um rapaz gay, e que esconde a sua homossexualidade tal como ele de todos os que o rodeiam.

Através destes emails vemos Simon apaixonar-se por um desconhecido, acompanhamos o seu pensamento enquanto tenta decifrar quem é Blue e assistimos a esta personagem ganhar força para dizer em voz alta: “Sou gay”.

Mas a coisa complica-se quando um colega de escola descobre a troca de emails e usa isso para chantagear Simon.

Uma comédia romântica leve e que fazia falta.

“Love, Simon” tem os altos e baixos normais de uma comédia romântica mas a frescura de assistirmos a uma história com protagonistas reais, normais e que podem ser exemplos para quem os assistir.

A mensagem é forte, entregue de forma leve e divertida mas não esquecendo a importância do que aqui se retrata.

“Love, Simon” tem o poder de se tornar uma obra marcante para a esta geração e que feliz que isso me deixa. E a sua “normalidade” pode ser revolucionária.

Os senhores por trás deste “Love, Simon” também merecem destaque.

O filme é baseado no livro “Simon vs The Homo Sapiens Agenda” de Becky Albertalli e segundo a pesquisa que fiz dizem que está bem adaptado e que faz justiça à obra original.

Não li o livro mas fiquei com vontade de dar uma espetadela porque pelo que dizem no livro os emails são mais explorados e percebe-se melhor o início desta paixão.

“Love, Simon” é realizado por Greg Berlanti que só assim de repente uma das pessoas por trás de “Dawson’s Creek”, “Brothers and Sisters” e “Riverdale”… faz sentido, certo?

Vale a pena? Vale, sim.

“Ah e tal Maria, ando aqui na dúvida, não sei bem se hei-de ver, não gosto muito de comédias românticas….” eeeerrr, shiu.

Se gostam de cenas tipo “13 Reasons Why”, “The Fault in Our Stars” ou até do já aqui sugeridoThe Edge of Seventeen“, se curtem filmes ou séries passadas em liceus (eu adorooo) que são bem escritas, com mensagens fortes metidas no meio de bons diálogos e que nos deixam a pensar, então não sei qual é a dúvida de carregar no play neste “Love, Simon”.

Confiem em mim, eu não vos falho.

Fico a desejar que mais estúdios peguem neste exemplo e produzam mais filmes assim e que parem de retratar as mesmas coisas over and over again. 

Queremos histórias de amor com protagonistas reais e que possam servir de exemplo para a geração que aí vem.

Porque como diz o filme: “Everybody deserves a great love story.”

 

Peace out, kidz.