“I Feel Pretty” é o novo filme de Amy Schumer, uma das minhas pessoas favoritas neste planeta.

No meio de um final de semana que incluiu mais um festival e 342 cenas de trabalho para tratar, não seria eu se não tivesse conseguido encaixar um filme aqui pelo meio, ainda para mais sendo um filme com a minha Amy Schumer metida ao barulho.

“I Feel Pretty”, ou “Sou Sexy, Eu Sei!” em português, é um hino à auto-confiança e uma cartinha cheia de recados para todas nós miúdas (e miúdos) cheias de inseguranças parvas.

Quando o trailer começou a circular, muitas foram as críticas que surgiram e muitos foram os artigos escritos em torno deste filme.

“Ah e tal, este filme goza com as mulheres mais gordinhas…!”, “Ah porque a personagem só fica feliz quando acha que é linda tipo manequim e o filme apoia essa atitude…”, “Mas que hipocrisia um filme que nos tempos de hoje mostra uma mulher ultra confiante só porque pensa que de repente tem um corpo incrível”…. Bla, bla, bla.

Ya, ok. Há pontos válidos em alguns destes artigos e críticas (a própria Amy Schumer assumiu o mesmo) mas há outros que são só ridículos e que são claramente escritos por alguém que nem sabe muito bem o que é esta coisa de viver entre “A beleza vem e dentro, não tens de te preocupar, és linda exactamente como és” e o “Oh, fuck. Era tão mais feliz se as minhas coxas não se tocassem quando ando.”

Todas as mulheres sabem o que é isto. Esta constante luta e equilíbrio entre o que sabemos que é o pensamento correcto de nos aceitarmos como somos e de ver beleza nas nossas imperfeições, e aqueles macaquinhos que nos invadem o cérebro e nos fazem questionar se não seriamos pessoas mais felizes se tivéssemos um six pack definido e gostássemos verdadeiramente de ir ao ginásio.

Quero deixar polémicas e pensamentos muitos profundos e cheios de teorias de lado porque, sinceramente, eu ri-me com o filme e no final das contas é isso que me importa.

Posso esquecer este lado sério e complicado e as críticas todas que foram feitas a este “I Feel Pretty”? Gracias, kids.

Ri-me, identifiquei-me com a luta da personagem principal, aceitei os clichês, invejei o corpitxo da Emily Ratajkowski e desejei que de vez em quando me acontecesse o mesmo que à personagem da Amy Schumer: bater com a cabeça e acordar ultra confiante.

A história é simples.

Renee Bennett (Amy Schumer) trabalha para o site de uma mega marca de cosmética.

O seu sonho é trabalhar na sede da empresa na 5ª Avenida, entrar todos os dias naquele edifício espelhado e incrível e viver uma vida supostamente glamorosa, rodeada de pessoas lindas e produtos fantásticos.

Mas a realidade é que trabalha numa cave escura, ninguém sabe da sua existência e o seu único colega é um gajo meio estranho que não lhe passa cartão.

Há um dia em que abre uma vaga para recepcionista da sede, é preciso alguém para ser a cara que recebe todos os que entram e saem daqueles escritórios.

Renee quer o emprego mas não tem a auto-confiança necessária para se candidatar.

Na sua cabeça nunca seria escolhida, não tem o corpo perfeito, não é o tipo de mulher que a marca representa e nem sequer lhe passa pela cabeça algum dia ter coragem para se propor para o lugar.

No meio deste turbilhão de “Quero candidatar-me porque é o meu emprego de sonho” e “O que seria, eles nunca me iriam escolher”, Renee vai a uma aula de SoulCycle (umas aulas de fitness supostamente incríveis que misturam meditação e soul searching com o cycling, uma mega moda nos Estados Unidos) e, desastrada como é, cai da bicicleta e bate com a cabeça apagando por completo.

Quando acorda, a sua confiança é outra.

Assim que se olha ao espelho depois da queda, Renee é a mulher mais feliz do mundo: sente-se linda!

De repente vê-se com o corpo que sempre sonhou, a atitude certa, a confiança em alta e sente-se capaz de conquistar o mundo.

A partir daí seguimos a vida dela e percebemos o que pode acontecer de diferente nas nossas vidas se a nossa confiança for outra e se acreditarmos que somos o suficiente, que aquilo que somos chega e sobra.

O que pode ser diferente se entrarmos numa sala de cabeça erguida e acreditarmos que merecemos as oportunidades pelas quais estamos a lutar? Se deixarmos as inseguranças de lado e falarmos com toda a confiança do mundo? Se olharmos nos olhos de alguém e não para o chão?

“I Feel Pretty” é um exercício que deveríamos experimentar de vez em quando e… just see what happens. 

O elenco à volta de Schumer é bom pra caraças.

“I Feel Pretty” é basicamente a personagem de Amy Schumer. Ela está em todas as cenas, a história é sobre ela, a luta é dela.

Mas nenhuma protagonista, por muito brilhante que seja, consegue que uma comédia seja bem sucedida sem uma contra-cena à altura.

Para começar a conversa temos duas senhoras da comédia a interpretar as suas melhores amigas: Busy Phillips e Aidy Bryant.

Busy Phillips dispensa apresentações, faz filmes há mil e quinhentos anos, é engraçada para caraças e uma das pessoas mais fixes que sigo no Instagram.

Aidy Bryant talvez vos diga menos mas é umas das actrizes mais incríveis no elenco de Saturday Night Live e já vai dando uma perninha em alguns filmes e séries.

Michelle Williams é a revelação deste “I Feel Pretty”.

Como é que Michelle Williams depois de quatro nomeações para os Oscars e cinco nomeações para os Golden Globes se pode revelar?

Fácil: mostrar-nos que sabe fazer comédia.

Estamos habituados a vê-la em mega dramas tipo “Manchester by the Sea” e “Brokeback Mountain” ou romances como “Blue Valentine” mas uma comédiazita básica para fazer rir a malta não era bem a cena onde a veria metida.

Mas agora não consigo esquecer.

Michelle Williams é Avery LeClaire a boss da tal marca de cosmética, neta da fundadora daquele império todo.

Tem uma voz ridiculamente aguda tipo desenho animado (parece um cartoon de uma girafa bebé mas meio sensual), é estranha nos tiques e nas coisas que diz da boca para fora e parece estar sempre meio à nóia do que se passa.

E é genial.

Se este filme não vos servir para mais nada, serve para verem que afinal Michelle Williams não é só rainha e senhora nos filmes pesados e sérios em que a costumamos ver. É também engraçada que se farta.

Temos Emily Ratajkowski como companheira de ginásio de Amy Schumer e também ela cheia de inseguranças apesar de ser, como diz Renee, “Undeniably pretty”; 

Olivia Culpo faz uma perninha e Naomi Campbell aparece do nada como executiva da marca.

Ah, e o gatinho Tom Cooper dá um ar da sua graça.

Tom Cooper, não estão a ver quem é? Ai migas, que falta de atenção!

Tom Cooper é o Dickon Tarly de “Game of Thrones”. 

Aaahhh safadas! Agora já sabem, não é? Sim, eu dou-vos um minutinho para suspirar.

O filme é aquilo que promete ser.

“I Feel Pretty” é divertido, fácil de ver, cheio de mensagens positivas para estas nossas cabecinhas complexadas, com momentos de rir à gargalhada e outros que nos levam a pensar que somos bem parecidos com esta Renee Bennett em várias coisas.

É a maior obra cinematográfica do ano? Não.

Tem uma mensagem boa e faz-nos, pelo menos, sorrir? Sem dúvida.

Acabamos o filme com uma boa vibe e a pensar “Amanhã vou chegar ao trabalho com todo o power, vou levar aquele vestido que ando a adiar estrear e que se lixe o que os outros pensarem de mim porque: I Feel Pretty!

Bora lá pensar um bocadinho nisto malta: o que é que de maravilhoso nos andará a passar ao lado só porque deixamos as nossas inseguranças travarem o nosso caminho?

Vão com tudo, o mundo é vosso.

Peace out, kidz.