Não sei se conhecem “The Bold Type”, se já ouviram falar, se já tropeçaram nela ou se, como eu, já a tinham visto por aí mas nunca lhe pegaram nem lhe passaram cartão.

Pois migas, eu peguei agora e viciei.

“The Bold Type” é levezinha e muito fácil de ver e por isso mesmo vi a primeira temporada toda e os quatro episódios disponíveis da segunda em dois dias.

Sim, entre Rock in Rio, Passadeira Vermelha, Boa Cama Boa Mesa, um Chickflick para alimentar, dois cães e uma família gigante, aqui a vossa viciada não resistiu a isto e teve de ver tudo de uma só empreitada.

Parece-me ser um bom indicativo de que a série vale a pena. Ou então apenas um indicativo de que sou completamente parva. Das duas, uma.

Não conhecem? Eu resumo.

“The Bold Type” é uma série inspirada na vida da super boss lady Joanna Coles, a antiga editor-in-chief da revista Cosmopolitan, que é também Produtora Executiva da série, mentora do “Project Runway All Stars” e a primeira mulher a ocupar o lugar de Chief Content Officer das revistas do grupo Hearst… que é como quem diz “a dona da porra toda”. Pardon my French. 

Joanna Coles

A série é emitida nos Estados Unidos pelo canal Freeform (Say what?! Quem?!) que é um canal de cabo e satélite que pertence ao gigantesco grupo Disney-ABC.

Porque é que isto é relevante? Para percebermos à partida que será um produto meio cor-de-rosa, sexy q.b., com mensagens muito mainstream e, convenhamos, com “buéda” dinheiro por trás.

O Freeform tem como target os teenagers e os jovens adultos e cria alguma programação para mulheres mais jovens, e é aqui que entra “The Bold Type”.

A série é filmada em Montreal no Canadá apesar de se passar em Nova Iorque. Poupa-se de um lado, gasta-se em roupa fabulosa. Like!

“The Bold Type” segue a vida de três melhores amigas que logo nos primeiros episódios nos fazem questionar: “Posso juntar-me ao vosso grupo?”
Kat (Aisha Dee), Jane (Katie Stevens) e Sutton (Meghann Fahy)

Jane, Kat e Sutton são as protagonistas que nos apresentam este fabuloso mundo das revistas de moda, dos amores e desamores no local de trabalho, dos dates do Tinder que correm mal, dos stresses de ter uma mega boss sempre em cima e que nos fazem invejar o seu guarda-roupa a cada cena.

Apesar da série querer muito que as protagonistas estejam em pé de igualdade, subliminarmente vamos percebendo que Jane será a personagem com um pouco mais de atenção, apesar de até agora as coisas estarem bem divididas.

As três amigas trabalham na revista Scarlet, uma espécie de Cosmopolitan com mil e um anos de história, muito respeitada, ultra reconhecida no mercado e altamente famosa no mundo das publicações.

Jane, a certinha.

Jane (Katie Stevens) é jornalista e anda sempre em busca do próximo artigo incrível e super interessante para escrever, acabando por vezes a ter de relatar como é fazer uma limpeza de pele na bunda. Quer mais, quer histórias melhores, tem um fraquinho por um jornalista de outra revista do mesmo grupo e é uma espécie de Charlotte do “Sexo e a Cidade”. É a certinha do gang com uma pitada de “taradice” escondida.

De onde a conhecemos?

Katie Stevens não aparece agora do nada em “The Bold Type”.

A cara dela pareceu-me logo familiar e não foi nada em que o Google não pudesse dar uma mãozinha. Katie Stevens foi concorrente do American Idol e chegou a ser convidada da versão portuguesa do Ídolos. Fez uma série para o YouTube, uma comédia para a MTV e agora protagoniza “The Bold Type”.

Kat, a mini boss.

Kat (Aisha Dee) é a boss lady das redes sociais da revista Scarlet. É uma miúda de causas, adora um bom tweet e das três amigas é a que vai melhor no trabalho tendo já um cargo de direcção. Desenvolve nos primeiros episódios um interesse por outra mulher e durante a série assistimos a este explorar de todo um novo lado da sua sexualidade que Kat desconhecia. Detesta relações sérias e vê-se apanhada na curva por uma mulher mistério.

Sutton, a cómica.

Sutton (Meghann Fahy) é assistente de uma das chefonas e está farta de atender telefones e ir buscar sumos verdes para a patroa.

Tem um romance secreto com alguém na chefia da revista e quer à força toda ir trabalhar para o departamento de moda. É determinada, extremamente engraçada nas suas saída desbocadas e, sinceramente, a minha favorita. É uma espécie de Samatha Jones mais bem comportada e muuuiiiitooo mais nova. É uma espécie de Emily de “O Diabo Veste Prada” mas menos fria e distante. (Melhor personagem de sempre, obrigada Emily Blunt)

Os bosses da Scarlet:

A chefona é interpretada por Melora Hardin e um dos bonzões do pedaço é o gatinho Sam Page.

Melora Hardin está incrível neste papel e Sam Page… é o Sam Page. Ga-to.

É incrivelmente imperdível ao estilo “Game of Thrones”?

Não.

Calma aí com a carroça que isto não chega aos pés do “Sexo e a Cidade” e não é o próximo “Game of Thrones” nem nada que se pareça.

Mas é um bom revival de séries e filmes do final dos anos 90 / início dos anos 2000. É uma espécie de manta de retalhos de séries femininas.

Tem um quê de “Sexo e a Cidade”, faz lembrar em algumas coisas a “Ugly Betty”, tem momentos muito “Como Perder um Homem em 10 Dias”, tem coisas à moda de “Gossip Girl” e “O Diabo Veste Prada”… entendem o padrão?

É leve, divertida, descomplexada, descontraída, sexy, tem um guarda-roupa incrível, uns gatinhos que dá para lavar a vista, uns romances cute, umas protagonistas que podiam ser nossas amigas, cada uma delas com características com as quais nos identificamos rapidamente.

E esse é o segredo.

“The Bold Type” apresenta-nos três mulheres diferentes e todas nós temos um bocadinho de cada uma delas e torcemos a cada episódio que elas se safem naquele mundo cão. Porque no fundo, estamos a torcer por nós próprias através da sua história.

Awwww. Agora fui fofinha.

Fica o trailer.

Peace out, kidz!