“The Sinner” é uma daquelas que não podem perder.

Até agora não tinha a Jessica Biel na minha lista de actrizes favoritas. Para dizer a verdade, não estava sequer na minha lista de actrizes, ponto.

Mas depois de ver “The Sinner” toda de seguida num só dia, a coisa mudou de figura.

Uma mãe de classe média, com uma vida normal, um trabalho normal, um marido normal e um filho, yep, normal, vai à praia em família.

Até aqui, tudo… normal.

Percebemos que é invadida por uma sensação estranha de desconforto mas não percebemos o que é, afinal estamos nos primeiros instantes do primeiro episódio e ainda não conhecemos bem esta Cora Tannetti e o mundo em que vive.

Cora “frita a pipoca” e mata brutalmente um rapaz à facada, em plena luz do dia, com cerca de trinta banhistas como testemunhas.

Não há como fugir, coisa que nem tenta, nem há como negar que foi ela a autora deste crime.

Aqui a questão imediata é, porquê? Não há razão aparente para este crime, não há ligação entre Cora e a vítima, não há motivos. Nada.

Vai presa, confessa tudo e não sabe explicar o que a levou a esfaquear alguém assim.

Não se preocupem, não estou a fazer spoilers, isto está tudo no trailer!

O puzzle é difícil de montar e para isso contamos com o enorme Bill Pullman.

Bill Pullman interpreta o detective com a difícil missão de desembrulhar esta confusão e… é tão bom a fazê-lo.

É uma personagem também ela cheia de camadas (umas mais kinky que outras) e a relação que cria com esta “mãe-assassina-sabe-Deus-porquê”, é cúmplice e quase ternurenta.

É um puzzle que dá voltas e mais voltas e quando achamos que estamos perto de perceber o que aconteceu, afinal não é bem assim.

Baseada no livro com o mesmo nome da autoria de Petra Hammesfahr, “The Sinner” tem oito episódios de 45min e no final, confesso, fiquei com vontade de comprar o livro. Se a série já é viciante, o livro deve ser daqueles de devorar bem rápido num fim de semana à lareira (não tenho, mas queria) a beber um chocolate quente. Ok, talvez seja um bocadinho Instagram demais esta imagem.

Jessica Biel mostra-se como nunca antes.

A performance de Biel é crua, sem pretensões, lavada de maquilhagem e glamour mas a arma secreta nisto tudo talvez seja Pullman que, mais uma vez, não desilude. É uma dupla mágica, diria.

Uma mulher confusa com o que acabou de fazer e um homem numa posição de poder que secretamente lida com uma profunda tristeza. Dark e bem construída, é tudo o que queremos. E aqui temos isso e muito mais.

Bem recebida nos Estados Unidos, com resultados nas audiências muito felizes e elogiada pelos críticos, “The Sinner” já fez correr tinta opinando que podemos estar a subestimar Jessica Biel enquanto actriz e, aquando da estreia, soltando o rumor de uma possível nomeação para os principais prémios do ano.

E o rumor, cumpriu-se.

“The Sinner” vale a Jessica Biel a sua primeira nomeação para os Golden Globes.

“The Sinner” competiu na categoria de Melhor Mini-Série/Telefilme no Golden Globes e não foi com surpresa que vimos esse prémio ser entregue a “Big Little Lies”. Mas a nomeação foi suficiente para surpreender os mais distraídos que ainda não tinham dedicado o seu tempo a este pequeno diamante.

Biel enfrentou na categoria de Melhor Actriz numa Mini-Série/Telefilme as mulheres fortes de “Big Little Lies”, Nicole Kidman e Reese Witherspoon, e a dupla brilhante de “Feud: Bette and Joan”, Jessica Lange e Susan Sarandon. Sem surpresas, saiu da gala sem o prémio na mão.

Este ano, foi Nicole Kidman quem o levou para casa.

A vitória era improvável, mas a nomeação foi certamente merecida e algo surpreendente.

A USA a marcar mais uma vez pontos e trazer-nos mais um produto de excelência que vale MESMO a pena ver.

Segue o trailer, prometam-me que se não viram, que vão espreitar 😉

Peace out, kidz.

MBM